Mais um 8 de março e o que comemoramos realmente?

Por Hellen Virgínia e Larissa Zuim
Em nosso país existe o hábito de simplificar ou minimizar as explicações: é o fim de semana que vira “findi”, é o aniversário que se transforma em “níver” e muita gente fala que em 8 de março se comemora o Dia da Mulher.
É importante lembrar que em 8 de março se comemora o Dia Internacional da Luta pelo Direito das Mulheres, popularmente conhecido como o Dia da Mulher. O significado desse dia para a humanidade é muito mais profundo e complexo do que o caráter mercantilista que faz com que algumas mulheres sejam lembradas neste dia como pessoas que merecem ser presenteadas com flores, bombons, maquiagem e/ou outros itens que fazem parte do folclore dos “objetos do universo feminino”.
Infelizmente, para muitas mulheres, 8 de março é apenas mais um dia em que serão agredidas, objetificadas, hostilizadas, sobrecarregadas de tarefas domésticas, subestimadas e assediadas moralmente em seus empregos ou escolas, assediadas sexualmente em lugares públicos e/ou privados e mortas pelo simples fato de serem mulheres.
Mas por que precisamos refletir sobre o que comemorar no 8 de março? Porque a mídia nos “lembra” de uma forma muito particular que as mulheres têm um lugar bem definido na sociedade. As propagandas que fazem referência ao dia 8 de março, estão repletas de estereótipos de gênero que apontam e “ensinam” que o lugar da mulher está relacionado às tarefas domésticas e aos cuidados com a família, dos filhos, do marido e da casa. Algumas dessas propagandas que associam exclusivamente à mulher as tarefas do cuidar ainda reforçam: “Mulher, não esqueça o seu lugar na sociedade”.  “Homenagens” dessa natureza seguem a direção contrária do real significado deste dia: a luta feminina pela igualdade de direitos.
Dia 8 de março é antes de tudo um dia de respeito e memória à luta que as mulheres do passado travaram em diferentes contextos históricos e culturais e que assegurou às mulheres do presente a possibilidade de ocupar espaços e lugares de fala que transcendem o ambiente doméstico.
Se hoje as mulheres atuam ativamente no mundo do trabalho, na academia, nos movimentos de resistência, nos movimentos operários, na política e em todos os espaços que queiram contribuir, foi graças à luta de mulheres que doaram a própria vida para garantir o direito de igualdade política, social, acadêmica e profissional.
Se hoje existem mulheres que se expressam publicamente é porque em algum momento existiram mulheres que se levantaram contra práticas opressoras e discriminatórias e partiram em busca de melhorias para a condição humana. Assim como uma vasta maioria continua fazendo, porque a luta ainda não acabou.
Essas melhorias significaram para as mulheres acesso à escola, direito ao voto, escolha de uma carreira profissional e autonomia financeira, participação ativa e direta na vida política, direito de circular e ocupar espaços públicos, dentre outras inúmeras conquistas. A melhoria na qualidade de vida das mulheres, por sua vez, significa a melhoria da qualidade de vida de seus filhos e da sua família, então podemos afirmar com segurança que falar sobre a luta feminista e sobre o Dia Internacional da Luta pela Igualdade de Direitos das Mulheres é importante para todos; mulheres e homens, pois não é necessário ser feminista para chegar à tal conclusão, basta ter consciência de que precisamos construir um modelo social dotado de equidade de gênero, ou seja, de iguais oportunidades para mulheres e homens. Para isso que isso aconteça, precisamos desconstruir modelos que inferiorizam e limitam a autonomia feminina.
É por tudo isso que precisamos refletir sobre o que se comemora em 8 de março, mas nossa reflexão não deve ser vazia e sim carregada de atitude e respeito a luta e as conquistas das mulheres. Todos os dias nossas ações devem refletir o real significado do Dia Internacional da Luta pelo Direito das Mulheres.
O GEPGÊNERO deseja à humanidade que em todos os dias as mulheres de todo o mundo sejam respeitadas e tenham possibilidade de ocupar os espaços que desejem, pois acreditamos que esses são os melhores “presentes” que uma pessoa pode receber.

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